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Comunidade busca esclarecimentos: Após sete anos, aulas de caratê na sede da 2ª
Companhia da PM são paralisadas

Cerca de 90 crianças e jovens que freqüentavam as aulas gratuitas de caratê na quadra esportiva da sede da 2ª Companhia do 21º Batalhão da Policia Militar Metropolitano, na rua Armando Dias, na Vila Diva, estão órfãos da modalidade. O projeto - até então sempre ressaltado pelos comandos da PM local - foi interrompido em dezembro, quando o sargento Celso Filho, responsável pelas aulas, foi destinado para a Operação Verão da PM, no litoral paulista. Mesmo sem obter explicações oficiais, os pais dos alunos atendidos esperavam que ao retornar para 2ª Cia, o policial reassumiria o projeto. Mas, tiveram outra desagradável surpresa no mês passado: descobriram que por determinação interna ele foi transferido para 5ª Cia, também do 21º Batalhão. Os pais não se conformam com a súbita paralisação das aulas que - ministradas regularmente, três vezes por semana em dois períodos - estavam formando promissores caratecas. A mãe de um dos alunos atendidos pelo policial, Cristiane Acácio, comenta que a decisão do comando do Batalhão pegou todos de surpresa. "Ninguém foi informado sobre o cancelamento. Os pais estão revoltados com o descaso e as crianças desamparadas", afirma. Ela lembra que, graças ao projeto, vários jovens obtiveram sucesso em campeonatos nacionais e internacionais.

 

                                                 arquivo folha

Cerca de 90 jovens praticavam
a modalidade gratuitamente
na quadra da unidade, na Vila Diva

O filho dela, Luiz Acácio, de 13 anos, é o atual campeão brasileiro de sua categoria. "Toda essa história construída na quadra não pode simplesmente ser jogada fora. Essas aulas ajudaram muito na formação do meu filho e das demais crianças atendidas", declara. Ela menciona ainda que ao longo desses sete anos ocorreram várias mudanças na 2ª CIA, mas o projeto do caratê sempre foi mantido. "Não entendemos porque esse novo comando resolveu acabar com tudo", relata.

Outra mãe que também não aceita a paralisação repentina é Suzana Bezerra Setúbal. "Tenho duas filhas que participavam do projeto desde o início. Elas estão muito chateadas por não poderem mais praticar o caratê e não tenho condições de pagar uma academia.

 

Ao invés de ficarem na rua, elas e outros jovens estavam praticando esporte, em contato com a Polícia Militar e sendo disciplinados", declara. Um grupo de mães já expressou a insatisfação com o novo capitão da Cia e aguarda explicações. A Folha também entrou em contato com o 21º Batalhão para transmitir a indignação dos pais dos jovens atendidos. Segundo resposta encaminhada pela Seção de Comunicação Social, "a suspensão e não o cancelamento" das aulas aconteceu em razão da necessidade de contar com o sargento no policiamento ostensivo. Foi informado ainda que as aulas poderão continuar, desde que o sargento as ministre nos dias em que não estiver em serviço.

Conforme a Folha apurou novamente com as mães após a resposta do Batalhão, até então, os grupos tinham dias e horários certos para freqüentar as aulas. "Sempre foi muito organizado", comentam. (Gerson Rodrigues)

                                               

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