“Água estocada ou industrializada tem prazo de validade”, alerta professor da USP

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aguaDiante da escassez de água, quem ainda não pensou em ter um grande estoque em casa? Mas antes de sair enchendo baldes e mais baldes, garrafas ou comprar caixa d’água extra é necessário ter alguns cuidados especiais com as alternativas de captação e armazenamento, inclusive com a quantidade adequada. É importante lembrar que se essas ações não forem realizadas de maneira correta podem ser prejudiciais à saúde. Nesta semana a Folha conversou com professor do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Pedro Caetano Sanches Mancuso. Ele esclareceu algumas das principais dúvidas da população e deu orientações sobre as maneiras de armazenar a água e como utilizá-la de forma segura.

 COMO E QUANTO CAPTAR?

Para o professor, é necessário ter muita atenção com a água estocada, principalmente a proveniente da chuva. “Em cidades metropolitanas, onde a concentração de poluentes no ar costuma ser mais elevada, a água da chuva pode ser utilizada apenas para uso doméstico, como regada de jardins, descarga sanitária e lavagem de roupa, por exemplo. No entanto, se bem filtrada e tratada, pode até se tornar potável e apta a ser consumida”, explica Mancuso.

Ainda de acordo com o professor, é primordial o descarte da primeira leva recolhida. “As chuvas costumam vir com contaminantes industriais, que tornam a água ácida. Antes de ser armazenada, a água costumeiramente passa pelo telhado e corre por alguma calha. Devido à poluição e poeira na cidade esses locais ficam muito sujos. Por isso o primeiro volume da chuva deve ser desprezado e captado apenas alguns minutos depois”.

Mancuso também esclarece que é importante saber calcular a quantidade necessária para enfrentar eventuais dias de racionamento. “A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 110 litros diários por pessoa é o suficiente para realizar todas as necessidades”, explica o professor.

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ARMAZENAMENTO IDEAL

De acordo com o especialista, a forma de estocagem também requer atenção para que a água não seja contaminada. “O ideal é que a água captada seja utilizada na sequência, em poucos dias. Quanto menos tempo armazenada melhor, a não ser que a pessoa saiba manusear produtos químicos que permitam a conservação, como o cloro, por exemplo. Deve ser guardada em lugar que a proteja do sol porque a exposição à luz pode acabar propiciando o surgimento de algas, se tornando imprópria devido aos microorganismos existentes em sua composição. É importante também que o recipiente seja muito bem vedado para evitar qualquer tipo de contaminação através de insetos e o próprio ar”, explicou o professor.

TRANSFORMAR EM POTÁVEL

Embora a recomendação é para que a água captada da chuva seja utilizada apenas para fins domésticos, se bem tratada e em caso de emergência, pode se tornar potável. “O processo de purificação pode ser realizado em casa. Quanto mais limpa for a captação, melhor. Assim que armazenada, a água pode ser colocada em filtros convencionais de cozinha, onde a vela, se bem mantida, remove partículas. Após esse processo o ideal é que a água seja fervida por pelo menos cinco minutos para acabar com as bactérias. Depois disso estará pronta para o consumo”.

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TEMPO DE VALIDADE

O professor ressalta que é importante a população saber que a água armazenada ou industrializada tem prazo de validade. “É preciso observar as datas de fabricação e vencimento nos rótulos. Sobre os galões de 20 litros, por exemplo, é muito importante questionar e conhecer a procedência da água. Além disso, a validade varia de 60 a 90 dias, com o vasilhame lacrado. Depois de aberto a recomendação é consumir em duas semanas”, explica o professor.

Sobre a água engarrafada, se a embalagem for de vidro a validade é de 24 meses e se for plástico, 12 meses após a data de fabricação.

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