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Um manifesto pela Ética e pela Moral

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Nos tempos de Platão e Aristóteles, as palavras ética e política eram indissociáveis! Longe de ser um meio de enriquecimento, de trampolim social, de conquista de poder, a política era coisa muito séria. O político digno deste nome, o estadista real, almejava muito mais do que estas benesses temporárias. A obra de um político convicto e sério surge do sonho de multiplicar o bem possível, de harmonizar direitos e deveres de cidadania.

A ciência da política tem história, tem cânones, tem exemplos. A política que tenta criar leis que, no sentido mais amplo, são as relações necessárias que derivam da natureza das coisas e dos homens. Aliás, Platão, o filósofo ateniense, usava uma bela metáfora para exemplificar a nobreza da política: a atividade do político, disse ele, assemelha-se à da tecelagem. Nada mais é do que a arte da vestimenta, o que implica na escolha do tecido, das peças que devem ser costuradas à mão, e da armação final, pois seu objetivo maior é dar segurança e abrigo, da mesma forma que um traje protege das intempéries e assegura os pudores.

Então, nos tempos medievais, Maquiavel promove uma ruptura. Maquiavel reivindica a irredutibilidade e a autonomia da política, a política como um campo específico do saber, a exigir um enfoque também específico, distinto da moral, da ética e da religião. Ainda hoje Maquiavel é um autor polêmico. Seu nome ficou definitivamente associado à percepção da política como a arte da dissimulação e do engodo. O termo maquiavélico está carregado de conotações negativas, corroborando a imagem do político como uma pessoa dotada de uma habilidade especial para esconder suas reais intenções e manipular as situações a seu favor, enfim, um mestre no emprego da astúcia e da força ao sabor de suas conveniências políticas, um ser traiçoeiro, sendo mesmo capaz de eliminar do seu caminho os amigos de ontem, os aliados de outrora, quer dizer, basicamente alguém em quem não se pode confiar.

Embora nem sempre haja convergência entre a prática política e os princípios morais, é fato hoje que a sociedade em geral está cansada de tantas notícias envolvendo escândalos de corrupção e posturas não condizentes com nossos representantes políticos e clama por uma sociedade mais justa. Hoje, parece que nossos governantes esqueceram definitivamente o princípio essencial que deveria governar suas práticas públicas! A causa própria, o corporativismo, os interesses escusos, o abuso de poder para isentar cada um de prováveis punições pelos seus desmandos, viraram verdades absolutas na vida de nossos políticos! Com exceção de poucos, nossos representantes estão abrindo mão de qualquer pudor ou sentido de justiça que deveriam ser suas prioridades.

Por isso, não podemos deixar de nos manifestar veementemente contra a anistia do caixa dois! Contra os destemperos constantes de nossa política nacional. Contra o costume de usar o poder do cargo para exigir benefícios próprios. O Brasil já não aceita isso.

*Floriano Pesaro é deputado federal por São Paulo.

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